As preocupações agravam-se. Diz-se que é o grande problema em Portugal. Está longe de ser o maior, mas é, de facto, um problema.
Continua a ser, essencialmente, um problema exógeno em relação à própria Justiça. As culpas de magistrados, advogados e funcionários são bem menores do que as do poder executivo.
Desde há muitos anos que o poder executivo tem apostado muito em retirar autoridade aos Tribunais. Não há nada mais terrível do que retirar autoridade a quem a deve ter.
Os políticos - parte dos quais sente, numa linha patológica herdeira da doença teórica com as teses de Rousseau atormentam a Europa há séculos, que o voto dá uma legitimidade total, mesmo para o ilícito - não têm sabido proteger os Juízes, como não tem sabido proteger professores, médicos, ou polícias.
Os políticos, boa parte dos quais formam a mais terrivelmente unida corporação, gostam de se gabar do ataque às corporações, mas deviam deixar de fora nos seus ataques aqueles que nos ensinam, nos protegem, nos julgam e nos tratam. Mas não. Esses são, até, os seus alvos preferidos.
A liberdade ocidental ou se constrói controlando o poder executivo, ou não se constrói de todo. Em Portugal, enquanto for o poder executivo a querer diminuir e controlar a Justiça, teremos cada vez maior/pior Estado e cada vez menor/pior Justiça.
Sem comentários:
Enviar um comentário